[ CUIDADOS (IN)VISÍVEIS ]
Dia Internacional do Enfermeiro - 12 de Maio de 2017
No livro “As Cidades Invisíveis” de Ítalo Calvino há um diálogo fantástico e imaginário entre Kublai Khan, o grande Cã dos mongóis, um dos senhores do mundo no séc. XIII, e o seu mais ilustre visitante ocidental, o veneziano Marco Polo. Neste diálogo, Marco Polo narra as suas impressões acerca de várias cidades visitadas dentro das fronteiras do império tártaro ao Cã que, não pode sair do centro do seu império. Quem comanda a narração é o imperador porque dela precisa para conhecer o seu próprio império.
Tal como as “Cidades Invisíveis”, que mais não são que um mapa deslumbrante, e alegorizado, da complexidade humana, também os Cuidados de Enfermagem e os Enfermeiros são muitas vezes invisíveis e devem de ser narrados, mostrados ao olhar do outro, empoderados na sua complexidade de intervenção técnica, clínica e social.
Os Enfermeiros desenvolvem vários padrões de conhecimento, técnicas de comunicação e relação, trabalham em multidisciplinariedade, em autonomia científica, seguindo os padrões éticos e deontológicos da profissão, e produzem ganhos de saúde nos indivíduos, nas famílias e nas populações com quem desenvolvem a sua intervenção.
A justa medida de compreensão da narrativa dos Cuidados (In)visíveis está dentro de cada um de nós que olhamos esta série fotográfica. Momentos fixos num espaço e num tempo simbólicos, para quem se quiser arriscar a conhecer esta mapa complexo de cidades (relações) entres os Enfermeiros e as pessoas de quem cuidam.
É o próprio Calvino que diz “quem comanda a narração não é a voz: é o ouvido”. Quem comanda a visão não são os olhos: são os sentimentos.
Liliana Barroso de Sousa, Enf